Introdução
Suicida, que promete avisar de alguma forma os vivos, se existir vida após a morte.
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Eu já estava morto, necessitava apenas descansar. Já não sentia, não amava, não odiava. Uma postura indiferente com o mundo, uma forma de insegurança com os sentimentos primitivos humanos causados por hormônios.
Assim como as demais substancias químicas, os sentimentos são liberados por reações involuntárias do nosso corpo, como um remédio que se usa há certo tempo já não traz mais efeitos.
Eu me sinto fedendo, eu me sinto podre por estar nessa carcaça humana. E mesmo evitando e estando saturado disso, um dia a química obstrui a consciência.
As pessoas não são imprevisíveis nas relações interpessoais, os sentimentos mais primitivos escondem os mais óbvios sinais.
Eu já também não sinto ódio por ninguém, por isso não tive coragem para matar alguém antes de matar a mim mesmo.
Aos que se dizem meus amigos, em vocês via apenas companhias, muitas vezes difíceis de suportar.
Nesse relativo pouco tempo que vivi, pude concluir que o mundo parece girar para os "pseudo intelectuais", para os ignorantes, e para os acéfalos.
_ Existem diferenças entre esses.
O "pseudo intelectual" tem sua inteligência, mas ainda é preso a dogmas culturais e pessoais, desde sua ingenuidade, de absolutismo de idéias, negando a duvida.
O ignorante, não tem conhecimento sobre as coisas, por falta de interesse ou oportunidade, ao mesmo os dois. Não se sabe se o ignorante é acéfalo.
O acéfalo é o que não tem capacidade de adquirir conhecimento, ou tem grandes dificuldades para isso. Provavelmente o acéfalo seja ignorante.
Poderia eu me encaixar em algum desses grupos? Talvez chegasse a uma conclusão concreta se tivesse escolhido viver mais alguns anos de vida... Poderia não ser agradável minha conclusão.
Me sinto do lado dos que duvidam, e pensam com seu próprio ponto de vista e agem conforme o tal ideal. Esse sofre, e não vê sentido no resto do mundo onde a hipocrisia reina e molda o comportamento.
Então, apenas desejo que continuem vivendo, com o sofrimento consciente ou não. Todos que quiseram competir comigo, por conta de suas próprias frustrações.
Eu não desejo a morte, pois ela é uma fuga fácil, ou não.Irei concluir isso agora.
Tornei-me um bêbado como minha mãe, e um insuportável como meu pai.
Se existir vida após a morte, prometo avisar, para o maior número de pessoas possíveis.
Isso claro, se nada me impedir nesse possível e desconhecido outro plano. Posso estar parecendo sarcástico, mas não. Se possível o farei, posso usar o termo "agnóstico" relativo a isso.
Ou seja, esse dilema não será resolvido, já que ninguém pode provar sua existência, ou sua inexistência.
Acho que serei o primeiro "pré defunto" a prometer alguma coisa do tipo.
Por fim vos digo, não sofram por mim, e não finja.
Os vivos esquecem dos mortos.
Por ROTTEN.
que deus tenha piedade da tua alma!
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